Publicado em Deixe um comentário

Direito Autoral 2.0 na Web3: Como acordei com R$ 11 mil em Cripto e o imbróglio com o CEO da Tether no caso Dinofauro.

Por André Crevi

Eu não entrei no mundo cripto. Eu fui atropelado por ele.

Acordei há alguns dias com o perfil do @dinofauro explodindo no X (Twitter). Mensagens em inglês, gente me marcando em posts de um tal de $FEFER e uma surpresa surreal: haviam criado uma moeda do Dinofauro na rede Solana e, como sou o criador original da marca, a plataforma (Pump.fun) já havia separado quase R$ 11 mil em recompensas para mim, do nada.

Só gente fina, elegante e sincera! #sqn

Esses dez anos de história do Dinofauro não caberiam em apenas um post. O personagem nasceu em 2015, na minha cabeça e nas criações iniciais junto à comunidade do Facebook e Instagram, que hoje somam mais de 900 mil pessoas. Esse número poderia ser ainda maior se muitas tirinhas não tivessem sido espalhadas por páginas que plagiaram meu conteúdo. Na época, comprovei a autoria através do selo de verificação (blue check) do Facebook, a rede mais utilizada no país. A partir daí, o Dinofauro virou matéria no G1, UOL, Terra e até objeto de estudo acadêmico na UFF.

Como Designer Gráfico autônomo e uma “eumpresa” sempre busquei formas de viver da internet sem esquecer como as coisas funcionam no “mundo real”. Por isso, quando houve a viralização registrei o domínio e a marca Dinofauro no INPI. Ao longo dos anos, o personagem participou de campanhas publicitárias com grandes marcas e celebridades brasileiras, lutei contra plágios, desenvolvi designs para produtos físicos, canecas, camisetas e bonecos. Ao longo do tempo, mudei o traço para um modelo 3D autoral — desenvolvido em parceria com a empresa Quiçá — justamente para desanexar o personagem da imagem do meme antigo, mantendo a essência que construí.

Sempre deixei claro: o uso do Dinofauro é livre, desde que não envolva transações financeiras. Ver pequenos negócios usando a imagem para escalar sua presença nas redes não me incomoda. O problema surge quando a propriedade intelectual, construída com suor no mundo digital e real, é apropriada indevidamente para lucro de terceiros.

O Choque com o Mundo Cripto

Quando percebi a febre em torno do $FEFER e da moeda $DINOFAURO, resolvi aparecer no X para dizer: “Oi, eu sou o pai desse bicho”. Fui recebido a “pauladas digitais”. Investidores do $FEFER (que usa o modelo antigo do boneco de borracha) começaram a me chamar de golpista e mentiroso. O argumento deles? “O boneco é apenas uma foto de um brinquedo chinês”.

Eu já esperava que esse debate sobre a origem da imagem ocorresse um dia. Por isso, me cerquei de registros e créditos ao longo da jornada. Entendo que o $FEFER tenha seus direitos, mas percebi que, nesse ecossistema, a violência contra criadores originais é comum. No mundo cripto, o ativo mais valioso é a comunidade e o quanto ela acredita no projeto. E essa validação eu já tenho, há uma década, aqui no Brasil.

Como fui forjado no “hate” desde os primórdios do Orkut e MSN, resolvi encarar a empreitada. Muitos acreditam que Web3 se resume a pegar um meme e especular valor, mas ignoram os 10 anos de suor, as feiras, entrevistas e investimentos. Se a comunidade é o que dá valor a um token, então o $DINOFAURO é mais do que válido: ele tem raiz.

A Reviravolta

O negócio ficou tão doido que Paolo Ardoino (CEO da Tether, a maior stablecoin do mundo) e onde reside o $FEFER teve que postar sobre o imbróglio. Foi aí que o mundo olhou para o Brasil. Uma galera percebeu que o Dino tinha um histórico real, e o token oficial $DINOFAURO na rede Solana virou um ativo capaz de desestabilizar os investimentos da $FEFER. Para tentar impedir isso, tentaram desmerecer meu trabalho e minha honra — uma reputação digital construída com integridade.

Apesar das tentativas de atropelo, a consistência da minha história prevalece. A Web3 é uma oportunidade incrível para artistas: do dia para a noite, meu trabalho gerou reconhecimento e valor financeiro direto, sem passar por bancos ou atravessadores. Isso é bizarro e libertador.

Direito Autoral 2.0

Eu e um boneco de Dinofauro contra o mundo!

Quero usar esse episódio para gerar uma conversa sobre Direito Autoral 2.0. Meu caso é um exemplo para que outros artistas e criadores de conteúdo ocupem seus espaços por direito. Ou você domina a sua marca no mundo digital e cripto, ou alguém fará isso (e lucrará) por você.

Estou descobrindo que meus designs podem virar NFTs e que minha comunidade pode ser global e ainda ganhar com isso. No meio de tantos esquemas e pirâmides que envolvem o mundo cripto, eu vi que existe um mercado pulsante para quem usa a criatividade com seriedade.

Eu vou continuar defendendo meu trabalho e dando o melhor para a “comunidade dinofáurica”. Estou entusiasmado como há 10 anos atrás com esse novo caminho. Pretendo seguir como fiz até hoje; com paciência, carinho, design e o bom humor que só o Dinofauro traz. Agora, para o mundo todo.

Atenção: Se você se interessa em participar do $Dinofauro criei o grupo oficial no WhatsApp onde vou enviando as informações do projeto, clique aqui e acesse.

Deixe seu comentário, dinofauro 🦖